Medicina Veterinária Integrativa

Medicina Veterinária Integrativa

A Medicina Veterinária Integrativa não se trata de uma especialidade, mas de uma forma de se praticar a medicina. Ela surgiu da insatisfação de médicos e pacientes pela forma como a Medicina Convencional é praticada, focando na doença, em tratar sintomas, sem um olhar real para o paciente, o estilo de vida, as emoções e as causas bases de suas queixas e enfermidades.

Foi resgatando princípios, buscando a saúde integral e a participação do paciente e família no processo, que a Medicina Integrativa vem se desenvolvendo e se fortalecendo.

O mesmo ocorreu na Medicina Veterinária e cada vez mais os animais tem se beneficiado com essa abordagem que atua na promoção, prevenção e manutenção da saúde.

A maioria das pessoas conhecem a Medicina Veterinária Integrativa como a união da Medicina Convencional com a Medicina Complementar. Este é sim um dos princípios: associar terapias complementares, baseando-se na ciência, utilizando métodos e terapêuticas naturais, efetivos e menos invasivos, sempre que possível. Jamais deve-se negar a Medicina Convencional, ela é necessária e devemos usar nosso conhecimento médico para avaliar o melhor plano de tratamento para o paciente.

A Medicina Integrativa vai além deste princípio. O tratamento deve ser interdisciplinar, na medida da necessidade e das condições do tutor. A visão e o conhecimento de um veterinário é apenas uma perspectiva, limitada e aquém do que o animal e a família merecem. Um tratamento integral não é possível ser feito apenas por um profissional, por isso o acompanhamento por outras especialidades e profissionais da saúde é muito importante.

Outro princípio para se praticar uma Medicina Integrativa de verdade é o holismo, palavra que possui um conceito deturpado por parte da sociedade. A visão holística é simplesmente enxergar o ser (humano ou animal) considerando todas as suas dimensões (corpo, mente e espírito). Estamos acostumados a olhar o físico, tratar sintomas, enxergar os sistemas do organismo e sua fisiologia. Mas é sabido pela comunidade científica que as emoções geram doenças e, além disso, causam sofrimento. A dor emocional deve ser tratada e muitas vezes dói mais que a física. Isso faz parte do trabalho do profissional da saúde: acolher e indicar profissionais capacitados (interdisciplinaridade).

A questão espiritual também é amplamente estudada com relação ao seu impacto na saúde. Sabemos o quanto os animais percebem o ambiente e as emoções dos seus tutores. A espiritualidade, na saúde, tem relação com a conexão consigo, com o ambiente, com a natureza, com a morte, com a busca de significados, respostas, consolo, com a forma como se reage às emoções, a acontecimentos externos, com o que cultivamos dentro de nós. A forma como cada cliente pratica a espiritualidade em sua vida é uma questão individual e não cabem aos profissionais da saúde interferir e sim respeitar, ter empatia e acolher o sofrimento.

Um animalzinho doente não sofre sozinho. Sofre o tutor, o sistema familiar e o veterinário também. Por isso, a atenção às pessoas envolvidas e o autocuidado são importantes. Tratar somente o animal sem ouvir o tutor, sem entender sua demanda, o que o faz sofrer, não é um tratamento integrativo. A família envolvida também precisa participar ativamente do tratamento do animal. E o médico veterinário? Não é possível cuidar com qualidade do outro se não estivermos bem. Nós, veterinários, lidamos com muitas situações, sentimentos, medos, angústias, culpa, sofremos pela síndrome da compaixão. Por isso o autocuidado é essencial.

A Medicina Veterinária Integrativa, portanto, entende a profundidade de cuidar de um paciente, de sua família e de si em todas as suas dimensões e que a causa da maioria das doenças são multifatoriais. Por isso, o tratamento deve ser multimodal e interdisciplinar, que a segurança e a busca da qualidade terapêutica são importantes e o foco não é a doença, mas o paciente como um todo.

A Dra. Marianne Camargos atua com medicina Chinesa (acupuntura chinesa e japonesa, fitoterapia) e terapias ortobiológicas; praticando Medicina Integrativa, Funcional e Cuidados Paliativos no Centro de Especialidades Veterinárias, Centrovet.

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