Acromegalia em felinos – Endocrinologia Veterinária

Acromegalia em felinos – Endocrinologia Veterinária

A acromegalia ou hipersomatotropismo é uma doença endócrina pouco frequente, causada por excesso de hormônio de crescimento (GH). Apesar de relatada anteriormente como rara, tem aumentado sua frequência e se mostrado comum em felinos. É caracterizada pelo crescimento crônico exagerado do tecido conjuntivo, ossos e vísceras. Em gatos, a acromegalia ocorre devido a um tumor pituitário secretor de hormônio de crescimento.

Os principais sinais clínicos incluem diabetes resistente à insulina, dilatação dos órgãos de tecido mole (principalmente fígado e rins) e proliferação de tecido gengival (muitos apresentam prognatismo).

Frequentemente a suspeita diagnóstica ocorre quando o animal diabético apresenta dificuldade no controle da glicemia e histórico de uso de doses altas de insulina, com resistência insulínica importante. No momento do diagnóstico, os gatos com acromegalia são fenotipicamente indistinguíveis dos felinos sem a doença, o que justifica, em partes, o subdiagnóstico. A dosagem de igF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina) é o teste diagnóstico de escolha, já que a dosagem do GH não está disponível no nosso país.

Atualmente, o melhor tratamento para um gato com tumor pituitário parece ser a radioterapia ou cirurgia (hipofisectomia). Como são procedimentos ainda pouco explorados no Brasil, o tratamento se passa pelo uso de doses elevadas de insulina com o intuito de melhor controle do diabetes.

Independente da modalidade de tratamento escolhida, a avaliação continuada da qualidade de vida do paciente deve ser regularmente realizada. Essa avaliação leva em conta o relato do tutor (impacto da doença na rotina e na vida dos familiares) e avaliação estreita e frequente dos parâmetros da doença sintomática (diabetes mellitus). Frequentemente esses pacientes evoluem para cetoacidose diabética e essa complicação norteia o tratamento conservador da acromegalia. O objetivo principal é evitar que o paciente evolua para essa condição.

Em gatos, mesmo sem tratamento definitivo para acromegalia, o prognóstico a curto prazo é relativamente bom. Não há dados de comparação da sobrevida de gatos tratados de modo agressivo com aqueles tratados conservadoramente.

Dra. Marina Madeira
Endocrinologia Veterinária

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Telefone: (31) 9 8475-7033

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