Doenças de origem comportamental em felinos

Doenças de origem comportamental em felinos

Gatos gostam de rotina, e portanto, alterações em seu dia-a-dia são fatores que levam ao estresse. Exemplos comuns de mudanças de rotina que cursam com tal problema são: mudanças de móveis de lugar, óbito de membro da família, chegada de bebês à residência, término de relacionamento dos tutores, e visitas. Com o cenário atual de pandemia, muitos felinos se depararam abruptamente com seus pais humanos, que ficavam fora de casa 8-12 horas por dia, ficando em casa o dia todo. Com tal mudança, a rotina do gato é alterada por completo, visto que os movimentos e ruídos na casa se alteram, além de que seu tutor está em casa, porém trabalhando.

Muitas patologias podem ocorrer em decorrência do estresse, e estas também são definidas como doenças comportamentais. No sistema nervoso, o centro do estresse é muito próximo ao da micção, e portanto, é comum consequências em trato urinário. A patologia comportamental mais comumente diagnosticada no felino é a cistite intersticial felina, que cursa com inflamação intensa da bexiga, causando: dor ao urinar e miccão em pequenas quantidades e diversas vezes ao dia, em alguns momentos com sangue. Esta alteração, quando associada à alterações em outros órgãos, também é conhecida como Síndrome de Pandora.

Outra patologia que frequentemente ocorre em consequência do estresse é a dermatite psicogênica. Nessa patologia, os felinos arrancam os próprios pêlos com a boca, insistentemente. Nesses casos, são observadas falhas de pêlo, principalmente em região de abdôme, e face interna de membros. Em casos mais graves, o animal pode arrancar praticamente todo o pêlo do corpo.


Existem algumas ferramentas que auxiliam muito na diminuição do estresse em felinos que se deparam com mudanças em sua rotina. Músicas tranquilas no ambiente, são uma excelente opção, sendo que, atualmente, existem listas específicas para relaxamento de gatos nas plataformas de música online.


O uso de feromônios sintéticos que contenham a fração F3, auxiliam na manutenção do bem-estar e na sensação de segurança desses gatos. Estes devem ser mantidos ligados na tomada da casa, por meio de um difusor.


O enriquecimento ambiental para os felinos é uma ótima ferramenta para evitar a ocorrência de estresse. É importante que o gato tenha brinquedos, espaço, e rota de fuga (algum local que ele possa se esconder e sentir seguro, caso aconteça algum evento estressante).


A presença de brinquedos na casa é essencial, sendo que gatos gostam principalmente de objetos que os permitam estimular seu instinto de caça. Bolinhas; varinhas com fita, bola ou pena na ponta; objetos que se movimentem como insetos eletrônicos, são boas opções. Existem também, brincadeiras virtuais, como o uso da caneta com laser na ponta; jogos em aplicativos de tablets e em sites. No caso do uso de brincadeiras virtuais, é sempre importante que o felino seja recompensado com um petisco, para não se frustrar após tanto exercício para capturar a ´´presa´´.


Apesar de gatos precisarem de espaço, mesmo em apartamentos pequenos, isso é possível. Verticalizar o ambiente com uso de prateleiras e pontes é uma ótima forma de enriquecimento ambiental, que inclusive aumenta a área de circulação do felino. Para a instalação destes mobiliários, é preciso ter cuidado para que não haja o risco do felino ficar ´´preso´´ em um dos objetos, quando há outro(s) gatos em casa – sempre deve haver opções de saída.


Mais importante que brinquedos e prateleiras, com certeza é a presença do tutor na brincadeira, que faz parte do enriquecimento ambiental. É essencial que os pais humanos tirem pelo menos 20 minutos ao dia (divididos em dois períodos) para brincar com o gatinho. Além de ser bom para o animal, é um momento importante de conexão entre vocês!

O tratamento das patologias comportamentais decorrentes do estresse deve ser iniciado pelo estudo do ambiente do felino, para prescrição das alterações ambientais e de manejo que devem ser realizadas na casa.

Em casos menos comuns, onde as alterações ambientais e de manejo não são suficientes para resolver a alteração comportamental, pode ser necessário o uso de outras terapias. Felinos respondem muito bem à terapia floral, sendo que existem formulações específicas para cada tipo de problema. Estão disponíveis no mercado diversas classes de ansiolíticos que podem ser utilizados para felinos, com ótimas respostas para problemas comportamentais. A prescrição desses fármacos, como ansiolíticos, só ocorre em casos graves, quando terapias mais simples ( e igualmente efetivas) não são capazes de resolver a alteração. O paciente deve ser acompanhada de perto pelo médico veterinário especializado em felinos, visto que são fármacos potentes, que podem causar efeitos colaterais, e quando utilizados, nunca podem ter seu uso suspenso de forma abrupta.

Especializada e mestre na área de Medicina Felina, a Dra Marina Moller Nogueira realiza atendimentos em medicina felina no Centrovet.

Para agendamentos e informações: (31) 2510-6797 | (31) 3324-3362 | WhatsApp: (31) 7581-0062

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